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Metodologias de Análise do Texto e do Discurso

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Diploma de Primeiro Ciclo em Comunicação e Jornalismo

(1º semestre/ 2 h /Turno nocturno)

SINOPSE

Esta UC, destinada a alunos da Licenciatura de Comunicação e Jornalismo, pretende motivar um questionamento dos diversos planos linguísticos, textuais e discursivos que enquadram e regulam os fenómenos comunicativos. Interroga-se a cultura do texto, não só aquela que produz textos, mas também aquela que por estes é (re)constituída. Parte-se, num plano propedêutico, da própria definição de linguagem verbal e oralidade, bem como da sua especificidade face a outras linguagens e modos de expressão, partindo-se da apresentação da diacronia da discursividade humana, quer por referência às estratégias que aí se geram, quer das mutações culturais daí derivadas, nomeadamente, por comparação com a génese do oral, da(s) escrita(s) e da(s) imagem(ns).
A constituição da textualidade ocidental, a sua determinação no campo das ideias e dos fenómenos da especificidade cultural das práticas discursivas do Ocidente, bem como a formação de figuras-chave na determinação do campo textual: autor, crítico, intérprete, leitor constituirão vertentes fundamentais a equacionar e estudar. Visa-se uma abordagem textológica por referência à constituição do «círculo hermenêutico» e a uma sua (re)formulação com base numa perspectivação da noção de «autor/sujeito hermenêutico» e de «crítica» (versus «crítico»), tomando por base o(s) estatuto(s) do oral, da(s) escrita(s) e da(s) imagem(s), «afinando-se» a noção «clássica» de «texto» por relação com as tentativas de se superar a distinção entre «compreensão» e «explicação».

Conhecimentos, capacidades e competências a adquirir:

Conhecimento das abordagens textológicas por referência, quer à génese da «textualidade» quer à constituição do «círculo hermenêutico»;
Capacidade de perspectivação da noção de «autor/sujeito hermenêutico» e de «crítica» (versus «crítico»);
Capacidade de destrinçar a noção de «texto» e de «autor» por relação com as tentativas de se superar a distinção entre «compreensão/explicação»;
Capacidade para uma reflexão comparativa entre os modelos discursivos de escrita e de imagem.

Programa

Introdução : Que entender por «Metodologias de análise do discurso e do texto»?

1. Diacronia crítica dos conceitos de discurso e de texto.

a) A especificidade histórico-linguística da experiência humana.
b) O “dever da palavra” nas sociedades arcaicas. Da sacralidade da Palavra ao discurso da Lei.
c) Crise das sociedades orais e disseminação da cultura escrita.
d) A passagem das estruturas míticas às estruturas discursivas da cultura ocidental. A linguagem como História.
e) O que é um «texto»? Qual é o «texto»?

2. A relação hermenêutica com os textos.

a) Hermes, hermeios, hermeneia, hermeneuein.
b) O que é «interpretar»? O sujeito da interpretação.
b) A Hermenêutica no mundo antigo até S. Agostinho.
d) A estrutura da compreensão e o círculo hermenêutico em Schleiermacher.

3. O trabalho na tradição textual.

a) Crítica e comentário.
b) A interpretação como exercício lúdico: interpretação/expressão.
b) Discurso «oral», discurso «escrito» e discurso «imagético»(«visual»).

4. O sujeito e a pergunta pelo autor.

a) Sujeito da interpretação/sujeito
b) Do estatuto de autor à «ordem do discurso» (Foucault)
c) Marcas textuais do autor (e «heteronímia» - Pessoa).
d) O desaparecimento do autor: Da «Morte do Autor» (Barthes) ao Texto.
e) A «ecrãnosfera» e a «fragmentação» do discurso textual.

Avaliação :
Prova escrita: 50%
Prova escrita prevista para o dia 20/01/2012

A. Bibliografia fundamental

AARSETH, Espen, Cibertexto: Perspectivas sobre literatura ergódica, Lisboa, Pedra de Roseta, colecção «Figurações», nº 3, 2005 (cap. III, pp.77-94)
ARISTÓTELES, Poética, Lisboa, INCM, 1990.
BARTHES, Roland, «A Morte do Autor», «Da Obra ao Texto» in O Rumor da Língua, Lisboa, Ed. 70, pp. 47-84.
ELIADE, Mircea (1963), Aspectos do Mito, Lisboa, Edições 70, s.d.
ECO, Umberto, «Sobreinterpretação dos Textos», in COLLINI, Stefan (dir.), Interpretação e Sobreinterpretação, Lisboa, Presença, 1993, pp. 46-61.
ECO, Umberto, «Entre Autor e Texto», in COLLINI, Stefan (dir.), Interpretação e Sobreinterpretação, Lisboa, Presença, 1993, pp. 63-80.
FOUCAULT, Michel (1969), O que é um Autor?, Lisboa, Vega, 1992.
FOUCAULT, Michel (1971), L’Ordre du Discours, Paris, Gallimard, 1989.
HAVELOCK, Eric, A musa aprende a escrever: Reflexões sobre a oralidade e a literacia da antiguidade ao presente, Lisboa, Gradiva, 1996 (orig. 1988)
HERDER, J.G., Ensaio sobre a origem da linguagem, Lisboa, Antígona, 1987 [sobretudo a segunda parte, pp.117-170]
ONG, Walter, Orality and Literacy: The technologizing of the word, London, Routledge, 2002
PALMER, Richard (1974), A Hermenêutica, Lisboa, Edições 70.
PLATÃO, Crátilo : Diálogo sobre a Justeza dos Nomes, Lisboa, Sá da Costa, s.d.
RICOEUR, Paul, Do Texto à Acção: Ensaios de Hermenêutica II, Porto, Rés, s.d.
TEIXEIRA, Luís Filipe B., Hermes ou a Experiência da Mediação (Comunicação, Cultura e Tecnologias), Lisboa, Pedra de Roseta, 2004.
TEIXEIRA, Luís Filipe B., Obras de António Mora, de Fernando Pessoa: Edição e Estudo, edição crítica dos textos de António Mora-Fernando Pessoa transcritos, organizados e anotados por Luís Filipe B. Teixeira, Obras Completas de Fernando Pessoa, vol. VI, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, col. «Série Maior», 2002 [«Introdução», sobretudo, pp. 13-37]

B. Textos complementares:

BARTHES, Roland, Mitologias, Lisboa, Edições 70, s.d.
BARTHES, Roland, O Prazer do Texto, Lisboa, Edições 70, s.d.
BARTHES, Roland, «As Duas Críticas» e «O que é a Crítica» in Ensaios Críticos, Lisboa, Edições 70, s.d.
BARTHES, Roland, O Óbvio e o Obtuso, Lisboa, Edições 70.
BARTHES, Roland, «A Análise Estrutural da Narrativa» in A Aventura Semiológica, Lisboa, Edições 70, 1987, pp. 203-265.
BARTHES, Roland, «A Crise do Comentário», «A Língua Plural» e «A Crítica» in Crítica e Verdade, Lisboa, Edições 70.
BARTHES, Roland, Lição, Lisboa, Edições 70, 1988.
BLANCHOT, Maurice, Le Livre à Venir, Paris, Gallimard (trad. port. : O Livro por Vir, Lisboa, Relógio d’Água).
CEIA, Carlos, Textualidade, Uma Introdução, Lisboa, Presença, 1995.
COLLINI, Stefan (org.), Interpretação e Sobreinterpretação, Lisboa, Presença. 1993.
ECO, Umberto, A Procura da Língua Perfeita, Lisboa, Presença, 1996.
ECO, Umberto, «O leitor modelo» in Leitura do Texto Literário – Lector in Fabula, Lisboa, Presença, 1983, pp. 53-70.
ECO, Umberto, Conceito de Texto, S. Paulo, I. A. Queiroz, 1984.
ELIOT, T.S., «Criticar o Crítico» in Ensaios Escolhidos, Lisboa, Cotovia, 1992, pp. 233-246.
FOUCAULT, Michel, As Palavras e as Coisas, Lisboa, Edições 70, 1988.
GADAMER, H.-G., Verdad y Metodo I, Madrid, Siruela.
GADAMER, H.-G., «Le Problème Hermenéutique» in Archives de Philosophie, nº 33, 1970, pp. 3-27.
GREIMAS, A. J., Semântica Estrutural – Pesquisa de Método, S. Paulo, Editora Cultrix, s.d.
GUSDORF, Georges, A Palavra, Lisboa, Edições 70, 1995.
LEROI-GOURHAN (1964), O Gesto e a Palavra (2 vols), Lisboa, Ed. 70.
LÉVI-STRAUSS, Claude, La Pensée Sauvage, Paris, Plon.
LÉVI-STRAUSS, Claude, «La Structure des Mythes» in Anthropologie Structurale, Paris, Plon.
LÉVI-STRAUSS, Claude, «La Structure et la Forme : Réflexions sur un ouvrage de Vladimir Propp» in Anthropologie Structurale 2, Paris, Plon, pp. 139-173.
PROPP, Vladimir, Morfologia do Conto, Lisboa, Veja, s.d.
PROPP, Vladimir, «As Transformações dos Contos Fantásticos» in Teoria da Literatura II, Lisboa, Edições 70, 1989, pp. 109-137.
RANCIÈRE, Jacques, La Parole Muette, Essai sur les Contradictions de la Littérature, Paris, Hachette, 2005.
RICOEUR, Paul, De l’Interprétation. Essai sur Freud, Paris, Seuil, 1965.
RICOEUR, Paul, Teoria da Interpretação, Lisboa, Edições 70, 1987.
SCHLEIERMACHER, Friedrich (1813), Sobre os Diferentes Métodos de Traduzir, Porto, Porto Editora.
SCHOLES, Robert, Protocolos de Leitura, Lisboa, Edições 70, 1991.
STEINER, George, Depois de Babel: Aspectos da Linguagem e Tradução, Lisboa, Relógio d’Água, 2002.

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