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História e Cultura Contemporânea

INP-Instituto Superior de Novas Profissões

Licenciatura em Relações Públicas e Publicidade
Ano lectivo 2008/2009

Ano: 1º. / Semestre I
Turma: 1T1 / 1N1
ECTS: 5
Horas/semana: 1:30
Docente: Professor Doutor Luís Filipe B. Teixeira

Objectivos:
Sensibilizar os discentes para os diferentes movimentos culturais que se foram delineando ao longo do tempo no mundo ocidental.
Dar a conhecer aos discentes um conjunto de autores determinantes na História da Cultura e do pensamento e mentalidades contemporâneas, sobretudo por relação à génese e desenvolvimento das problemáticas comunicacionais.
Levar os discentes a reflectir acerca das mudanças operadas no mundo ocidental desde o século XVII/XIX à actualidade, relacionando-as entre si e com os movimentos culturais e comunicacionais, nomeadamente, a partir da relação com a noção de «cultura visual», percebendo a figura do «olho»/«olhar» na cultura ocidental; e da caracterização da subjectividade contemporânea por relação com a matriz técnica

Programa

Introdução: História, Cultura e Contemporaneidade.

I. Alguns tópicos sobre a génese e evolução do conceito de «Cultura».

I.1. «Cultura agri» versus «Cultura animi» (Cícero e Horácio)
I.2. O «milagre Grego»: A noção grega de «Paideia».
I.3. Do Renascimento à matriz iluminista e o irromper da noção de «processo civilizacional»
I.4. O quadro romântico: A noção germânica de «Bildung» e o conceito de «Formação».
I.5. A dinâmica Natureza/Cultura: Espelhos que se auto-reflectem?:Do biológico ao Cultural (Natureza «mágica», «física» e «mecânica»/«miraculoso», «natural»» e «artificial»)
I.6. Jano e o horizonte bicéfalo: Cultura versus Civilização
I.7. E Prometeu criou os homens (Tradição versus Progresso)
I.8. O panorama de emergência das «Ciências da Cultura» face ao seu carácter paradoxal.

II. A emergência da Contemporaneidade.

Introdução: «Cultura» versus Experiência.

II.1. O séc. XVII e uma Natureza nova: Revolução mecanicista
II.2. Da «Natureza fechada» ao «Universo Infinito»
II.3. O Séc. XVIII e o «verdadeiro estudo da Humanidade» (Da «Liberdade, Igualdade» à Filosofia da História – Ser/Devir). A Revolução Industrial
II.4. O Séc. XIX e o «Devir» acima do «Ser»: Iluminismo vs Romantismo. A Cultura Romântica e a génese da imprensa moderna. O «Evolucionismo» e o «biologismo» aplicado às «Ciências da Cultura». Da «Cultura das Ciências» às «Ciências da Cultura». o início da Contemporaneidade.
II.5. Séc. XX e o «triunfo do Devir»: A Modernidade e a génese da figura do «Observador». Do Paradigma da Voz e da Escrita para o da Imagem: «Gramofone, Filme e Máquina de escrever» (Kittler). O Homem e a Técnica e a consciência do «sujeito fragmentado»/«heterónimos» (Pessoa). Totalitarismo e propaganda. O paradigma «técnico» como matriz de reflexão sobre a (nossa) contemporaneidade. O quotidiano e os novos meios tecnológicos.

Conclusão: O novo contexto da subjectividade contemporânea: Realidade, simulacro e virtual (o exemplo dos jogos interactivos)

Metodologia de Avaliação
Aulas expositivas com o apoio de textos e audiovisuais.

Metodologia de Avaliação
Uma frequência e um trabalho individual, este último a definir com o Docente no início do semestre. Este trabalho será acompanhado pelo Docente nas horas de tutoria.

Bibliografia

A lista aqui apresentada constitui a espinha dorsal do programa da cadeira, constituindo a bibliografia básica em que se fundamenta cada um dos módulos temáticos abordados. No decorrer do curso serão indicados outros textos (alguns deles, de comentário nas aulas) que perspectivem um aprofundamento de algumas matérias leccionadas.

ARENDT, Hanna, La crise de la culture: Huit exercices de pensée politique, tradução do inglês sob a direcção de Patrick Lévy, Paris, Gallimard, 1972 (Capítulo I: «La tradition et l’âge moderne», p. 28-57; e capítulo VI: « La crise de la culture: sa portée sociale et politique», p. 253-288).
BAUDELAIRE, Charles, O pintor da vida moderna, tradução e posfácio de Teresa Cruz, col. «Passagens», Lisboa, Vega, s.d.
BAUDRILLARD, Jean, Simulacros e Simulações, tradução de Maria João da Costa Pereira, Lisboa, Relógio d’Água, 199.
BAUMER, Franklin L., O pensamento europeu moderno. Séculos XIX e XX, Lisboa, Ed.70, 1990.
BENETON, Philippe, Histoire de mots: Culture et Civilisation, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1975.
BENJAMIN, Walter, «A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica», in Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política, tradução de Maria Luz Moita, Lisboa, Relógio d’Água, 1992, p. 71-113.
BRAUDEL, Fernand (dir.), A Europa, Terramar, Lisboa, 1996.
CALINESCU, Matei, As cinco faces da modernidade, Lisboa, Vega, 1999.
CASARES, Adolfo Bioy Casares, A invenção de Morel, trad. Miguel Serras Pereira e Maria Teresa Sá, Lisboa, Antígona, 1984
CASSIRER, Ernst, «The “Tragedy of Culture”», in The logic of the humanities, tradução de Clarence Smith Howe, New Haven and London, Yale University Press, 1966, p. 182-217 (tradução espanhola de Wenceslao Roces in Las Ciencias de la Cultura, México, Fondo de Cultura Económica, 1972, p. 155-191).
CASTELLS, Manuel, A Sociedade em Rede, Lisboa, FCG, 1996
CRARY, Jonathan, Techniques of the observer: On vision and modernity in the nineteeh century, Cambridge,Massachussetts,London, MIT Press, ninth edition,1999
DEBORD, Guy, A sociedade do espectáculo, tradutores Francisco Alves e Afonso Monteiro, Lisboa, Edições mobilis in mobile, 1991.
— «Comentários sobre A Sociedade do Espectáculo», in Comentários sobre a Sociedade do Espectáculo/ Prefácio à quarta edição italiana de “A sociedade do Espectáculo”, tradução de Fernando Silva e Edmundo Calado, Lisboa, Edições mobilis in mobile, 1995, p.7-107.
DEBRAY, Régis, Introduction à la Mediologie (Introdução à Mediologia, Lisboa, Livros Horizonte, 2004), 2003
ELIOT, T.S., Notas para a definição de Cultura, tradução de Ernesto Sampaio, Lisboa, Século XXI, 1996.
FRANÇA, José Augusto, Charles Chaplin: O «Self-Made-Myth», Lisboa, Livros Horizonte1989
GIDDENS, Anthony, As consequências da modernidade, São Paulo, UNESP, 1991.
GIDDENS, Anthony, Modernidade e identidade pessoal, 2ª ed., Oeiras, Celta, 2001.
GOMBRICH, E.H., Para uma história cultural, tradução Maria Carvalho, Lisboa, Gradiva, 1994.
GRILO, João Mário e Paulo Filipe MONTEIRO, O que é o Cinema?, Revista Comunicação e Linguagens, nº 23, Lisboa, Edições Cosmos, 1996
HABERMAS, Jürgen, O discurso filosófico da modernidade, 3ª ed., Lisboa, D.Quixote, 2000.
HOBSBAWM, Eric, A Era dos extremos, Ed. Presença, Lisboa, 1996.
HEINEMANN, Fritz, A filosofia do século XX, 2ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, s.d.
KITTLER, Friedrich A., Gramophone, Film, Typewriter, translated, with an introduction by Geoffrey Winthrop-Young and Michael Wurtz,Stanford, California, Stanford University Press, 1999
LIPOVETSKY, Gilles, A era do vazio. Ensaio sobre o individualismo contemporâneo, Lisboa, Relógio d’Água, s.d.
LOURENÇO, Eduardo, Nós e a Europa ou as duas razões, Lisboa, Imprensa Nacional, 1988.
MCLUHAN, Marshall, Understanding de Media, London, 1995
MANOVICH, Lev, The language of new media, Cambridge, MIT Press,2001
MIRANDA, José Bragança de, «Discurso e Modernidade», in Analítica da actualidade, , Lisboa, Vega, 1994, p. 169-215.
MIRZOEFF, Nicholas, An introduction to visual Culture, London and N. York, Routledge, 2000
SIMMEL, Georg, La tragédie de la culture, tradução do alemão por Sabine Corneille et Philippe Ivernel, précédé d’un essai de Vladimir Jankélévitch, Paris, Rivages/Petite Bibliothèque, 1993 (sobretudo «Le concept et la tragédie de la culture», p. 179-217)
SPENGLER, Oswald, L’Homme et la technique, tradução de Anatole A. Petrowsky, Paris, Gallimard, 1969 (trad. port. de João Botelho, Lisboa, Guimarães, 1980).
STEINER, George, No castelo do Barba Azul: Alguma notas para a redefinição da Cultura, tradução de Miguel Serras Pereira, Lisboa, Relógio d’Água, 1992.
TEIXEIRA, Luís Filipe B., «Criticismo Ludológico e Novos Média: Introdução (SBGAMES) (Ludologic Criticism and New Media: Introduction)[ensaio apresentado ao SBGames 2007 VI Simpósio Brasileiro de Jogos de Computador e Entretenimento Digital- Unisinos-São Leopoldo, Brasil (7-9 de Novembro de 2007), na trilha «Jogos Cultura» e editado nos respectivos Anais]
TEIXEIRA, Luís Filipe B., «Criticismo Ludológico: Simulação ergódica (jogabilidade) vs Ficção Narrativa»(Ludologic Criticism: Ergodic Simulation (gameplay) vs Narrative Fiction)[texto-base de apresentação ao 5º Congresso da SOPCOM (6 a 8 de Set. de 2007) na sessão temática «Comunicação Multimédia e Jogos Electrónicos», Universidade do Minho, a editar nas respectivas Actas; igualmente, em Caleidoscópio (no prelo), submetido a referee e publicado in Observatorio (OBS*) Journal, vol 2, nº 1 (2008), 321-332]
TEIXEIRA, Luís Filipe B., «Ludologia: Uma disciplina emergente?», texto de apresentação da mesa temática do 4º Congresso da SOPCOM-Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação: Repensar os Média:Novos contextos da Comunicação e da Informação)(Univ. de Aveiro, Outubro 2005) (disponível em «pdf», versão electrónica das respectivas Actas - ISBN 972-789-163-2)
TEIXEIRA, Luís Filipe B., Hermes ou a experiência da mediação (Comunicação, Cultura e Tecnologias), Lisboa, Pedra de Roseta, 2004
TEIXEIRA, Luís Filipe B., «Narciso e o Espelho. Virtualidade e Heteronímia ou as viagens pessoanas de Alice» [a 1ª versão deste texto serviu de base à comunicação ao II Lusocom: Encontro Lusófono de Ciências da Comunicação, promovido pela SOPCOM: e INTERCOM, que se realizou na Universidade Federal de Sergipe (Brasil), entre os dias 28 e 30 de Abril (em 29 de Abril de 1998. Publicado em em Hermes ou a Experiência da Mediação (Comunicação, Cultura e Tecnologias), Lisboa, Pedra de Roseta, 2004, pp.90-105]
TEIXEIRA, Luís Filipe B., (org.), Cultura de Jogos, revista Caleidoscópio, nº 4, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas, 2003
TEIXEIRA, Luís Filipe B., O nascimento do Homem em Pessoa: A heteronímia como jogo da demiurgia divina, Lisboa, Cosmos, 1992
TURKLE, Sherry (1998: orig. 1984), O Segundo Eu: Os computadores e o espírito humano, Lisboa, Presença
TURKLE, Sherry (1997: orig. 1995), A vida no ecrã: A identidade na Era da internet, Lisboa, Relógio d’Água
TARKOVSKI, A., Esculpir o tempo, 2ª edição, S.Paulo, Martins Fontes, 1998

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