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A reconfiguração da Literatura (Ficção) no contexto dos Novos Médias (Ficção, E-Textos, Hipertexto e Videojogos: «Máquinas Literárias»?)

[in Manuel Portela (Universidade de Coimbra) (org.), Literatura no século XXI, Revista de Estudos Literários, Centro de Literatura Portuguesa, volume 2 (2012): 241-276  ISSN 2182-1526]

 

Por razões diferentes,
mas igualmente essenciais,

Para os meus Filhos
Artur e Tomás Filipe,

Erick Felinto,

Manuel Frias Martins

In Memoriam
José Augusto Mourão

 

Resumo

Neste ensaio propomo-nos reflectir sobre a (re)configuração da noção clássica de Literatura e de ficção literária à luz da evolução das tecnologias, até à emergência e consequente desenvolvimento da indústria videolúdica e dos jogos digitais. Será que a alteração da materialidade do(s) suporte(s), neste caso, do papel e do livro para os ecrãs do(s) computador(es) ou das televisões, altera ou mantém a possibilidade de, nalguns casos, de acordo com um certo tipo de narrativa e de género ludológico, continuarmos a falar de ficção e de Literatura? Em que medida a (i)materialidade algorítmica, ao desmaterializar e virtualizar o conteúdo de uma forma diversa do que acontece com o livro - desde logo, como se prefigura nos e-textos, hipertextos e cibertextos, alterando, igualmente, a literacia, bem como o modo de autoria, emissão e recepção -, mantém ou altera o que, até aqui, se designou por Literatura? Será que estamos no mesmo plano da alteração que se verificou aquando da fixação da oralidade pela escrita, isto é, da própria emergência da paradoxal (e contraditória nos termos) «literatura oral»?

Palavras-Chave: Literatura/Ficção, Novos Médias, Hipertexto/Cibertexto, Videojogos

Abstract

In this paper we set out to reflect on the (re)configuration of the classical notion of Literature and literary fiction in light of the evolution of technologies, to the rise and consequent development of the videoludic industry and digital games. Does the change in the material nature of the support(s), in this case from paper and book to computer or television screen(s), change or maintain the possibility that, in some cases, according to a certain kind of narrative and of ludological genre, we can still talk of fiction and Literature? To what extent does the algorithmic (im)materiality, by dematerializing and virtualizing content in a different manner than the book does – notwithstanding the fact that, as it takes shape in e-texts, hypertexts and cybertexts, it also changes literacy as well as authorship, emission and reception – preserve or change that which has so far been called Literature? Are we on the same level of change as that which happened at the time when orality was fixed by writing, in other words, at the time of the very rise of the paradoxical (and contradictory, in its terms) «oral literature»?

Keywords: Literature/Fiction, New Media, Hypertext/Cybertext, Videogames

Ensaio

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