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A Gnose em Fernando Pessoa

Colóquio Internacional
GNOSE E GNOSTICISMO – GENEALOGIAS, EMERGÊNCIAS

Porto - 14 e 15 de Novembro de 2008 - Ateneu Comercial do Porto

«E a Gnose», perguntou elle, «o que sabem os senhores do que foi realmente a Gnose?Tratam-a ainda, e tratal-a-hão sempre, como uma seita religiosa, um movimento heretico.Ha, é verdade, quem se lembre de a considerar como uma sobrevivencia de qualquér cousa anterior ao Christianismo.  A idéa é justa, muito justa, mas como é errada, ao mesmo tempo!»

Fernando Pessoa, «O Philosopho Hermetico», 2719 M3-2r

O meu objectivo é falar de corpos
que se transformaram em formas de outro tipo

Ovídio

Esta comunicação reflecte a visão Gnóstica (de Si e do Mundo), tomando por base a arquitectura heteronímica e o processo de experiencialização da Consciência («O viajante não tem morada fixa; a estrada é o seu lar», como se diz no I Ching, hexagrama 56) subjacentes ao pensamento e obras de Fernando Pessoa.

Com efeito, em Pessoa, este processo de experiencialização gnóstica (e gnósica) pressupõe o processo heteronímico, a saber: a) como evolução da Consciência humana, desde o nível mimético, passando pelo analógico, até ao simbólico;  b) como escala de despersonalização;  c) e como graus de iniciação.

Estes três modos, apesar de diferentes entre si, são tudo faces de um mesmo poliedro ou, se se preferir, são, como escreve nalguns textos do seu projecto («livro que o não é») Caminho da Serpente, as «três ordens» de interpretação e, simultaneamente, a «emergência de uma genealogia» (como no subtítulo deste Congresso») de Mito-Logia de «Ser tudo de todas as maneiras».

 

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