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Hotel Dusk: Room 215 ou Mistério (negro) chandleriano

Esta misteriosa aventura gráfica, desenvolvida para a Nintendo DS pela Cing, a mesma empresa que produziu «Another Code:Two Memories» (o primeiro jogo no género a entrar nesta plataforma), representa, sem qualquer dúvida, e a vários títulos, um novo marco no mundo dos videojogos. A história inicia-se a vinte e oito de Dezembro de 1979, quando Kyle Hyde (um antigo polícia convertido em vendedor ao domicílio) se hospeda num quarto de Hotel (o quarto 215, que dá o subtítulo a esta aventura gráfica), procurando investigar a verdade sobre o seu antigo parceiro no combate ao crime. O enredo noir desenha-se em torno de várias personagens que vão desfilando à medida que o jogo se vai desenvolvendo e o protagonista vai deambulando e falando com cada uma delas pelos corredores deste hotel.Aqui encontramos algumas personagens sui generis, como sejam um ex-carteirista, um escritor, o próprio dono do hotel, a mulher-a-dias, uma criança, uma anciã, uma jovem muda (peça chave em toda a investigação) e, claro, uma femme-fatale, habitante do quarto em frente. No desenrolar do jogo, e à medida que a trama se vai complexificando, iremos verificando que, de um modo ou de outro, existem relações entre cada uma destas personagens com o objectivo final da narrativa.

Um dos pontos extraordinários deste jogo diz respeito, quer ao grafismo (presente no próprio sítio oficial)  quer, sobretudo, ao modo como se joga. É que , ao jogar-se com a DS ao alto, isto é, em posição de leitura, poderemos considerar este modo de leitura, uma aplicação do hibridismo de média, presente noutros contextos e noutras soluções.Independentemente de ser forçoso dominar-se a língua inglesa como modo de se conseguir seguir o enredo e resolver o «caso», bem como ter-se alguma dose de paciência para se fazer face, por vezes, ao longo guião transformado em linhas de diálogo, no entanto pensamos que este jogo marca, sem dúvida, incluindo pela estética do grafismo (que retrata a lápis as várias personagens, com cutscenes fazendo lembrar pequenos filmes antigos em...super 8!), um novo patamar de jogabilidade. A esta mecânica de jogo, há a somar o uso do estilete, quer para se traçar o percurso de Kyle ao longo da planta do Hotel (enquanto no outro monitor se exibe o ambiente em 3D), quer para activar o zoom, tomar notas num pequeno caderno, juntar e resolver puzzles e criar ferramentas para, por exemplo, abrir portas.

De salientar, igualmente, por vezes, a utilização dos próprios microfones para ajudar à resolução de alguns dos enigmas, aliás, como também já acontecia com o «Another Code».

Por tudo isto, este Hotel Dusk:Room 215 para a Nintendo DS representa, sem dúvida, e apesar dos eventuais problemas encontrados por alguns, quer a respeito da (não-)acção, no sentido corrente do termo, quer dos confrontos com a língua inglesa, uma experiência ímpar e memorável em termos de jogabilidade e de suspense, recomendável a todos.

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Copyright © 2017 | Luis Filipe B. Teixeira
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